segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

FAQ sobre adição de melamina no leite - China

Junto com as pesquisas sobre as contaminações alimentares na China, achei esse interessante questionário sobre a adição de melamina no leite, de produção da ANVISA.

O leite é uma matéria-prima muito assediada em relação a adulterações e contaminações. Nós, profissionais do ramo, somos responsáveis pelo controle do recebimento dessa matéria-prima e por assegurar padrões de qualidade para tal. Vamos conhecer um pouco mais sobre mais essa adulteração do leite, que é um importante produto da nossa região. Segue alguns trechos abaixo.

O que é melamina? 

Trata-se de uma substância química utilizada na fabricação de plásticos,
adesivos e resinas sintéticas.

Destaca-se a semelhança com a palavra melanina, mas essa está presente em
nosso organismo, tendo como função à pigmentação da pele, olhos e cabelos.

Por que razão foi adicionada melamina em leite e em fórmula infantil em
pó na China?


Na adulteração do leite cru adiciona-se água para aumentar o seu volume. O
leite ao ser diluído apresenta uma menor concentração protéica que pode ser
verificada através do teste de teor de nitrogênio. Para que a diminuição do nível
de proteína não seja detectada na análise é feita a adição fraudulenta de
melamina para corrigir a baixa concentração e, por conseguinte, mascarar o
resultado.

A adição de melamina em alimentos é permitida? 

Não. No Brasil e no mundo a adição de melamina em alimentos não é
permitida pelas legislações e pelo Codex Alimentarius (FAO / OMS).

 

Para o material completo, clique aqui e baixe-o em pdf.

Aflatoxinas causam problemas na China

Quem nunca ouvir falar da penicilina? Antibiótico poderoso, ela é produzida por um fungo, o Penicillium sp. e foi o primeiro antibiótico usado em larga escala. Os fungos podem ser produtores de alimentos - como por exemplo o Penicillium roqueforti ou  Penicillium camembert, dos famosos queijos - ou até mesmo o próprio alimento - na forma da sua fruitificação: os cogumelos. Contudo, os fungos podem ser nocivos.

Aflatoxinas são compostos que fazem parte do grupo das micotoxinas, que são compostos tóxicos produzidos pelos fungos. Importante provedor de deterioração alimentícia, os fungos surgem quando as condições de preparo e armazenagem não são adequados, trazendo riscos ao consumidor. Recentemente, na China - país que necessita alimentar 1,7 bi - surgiu casos de intoxicação por aflatoxinas. 

Um dos principais casos que ocorreram se deu da seguinte forma: leite com presença de aflatoxina foi comercializado no sudeste da China. De tão potentes, as aflatoxinas surgiram dos fungos que decomporam a ração/silagem do rebanho leiteiro, passou para o leite, permaneceu durante o processamento (devido a sua característica termorresistente) e estava prestes a causar DTAs nos consumidores chineses. Graças ao controle de qualidade e a rastreabilidade aplicada, o lote do leite problemático foi retirado de circulação antes de ser consumido.

De acordo com matéria do Portal Terra, dessa vez o amendoim foi o vilão:

"O órgão regulador de alimentos, em Shenzhen, informou que foram constatados níveis excessivos de aflatoxinas em amendoins vendidos em três estabelecimentos e no azeite de cozinha utilizado em quatro restaurantes, informou a agência estatal China Nova."

Fonte: Portal Terra
 



Como ser responsável técnico no ramo alimentício? - Parte I

Nós, profissionais do ramo alimentício temos a necessidade de sempre estarmos antenados à legislação referente a nossa área de atuação. Os regulamentos e disposições do MAPA (Ministério da agricultura, pecuária e abastecimento), ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) e outros são sempre recorrentes no nosso cotidiano.

Um assunto que gera muitas dúvidas aos profissionais do ramo alimentício é quais são as exigências legais para se tornar um RT, ou responsável técnico. Acerca deste assunto podemos citar basicamente dois textos que tratam sobre estas exigências: 
  1. O decreto Nº 77.052 de 19 de janeiro de 1976, que determina quais são as exigências, por lei, que o profissional responsavél técnico deve atender,
  2. A portaria Nº 1428 de 26 de novembro de 1993, que trata sobre a fiscalização sanitária e exige a presença do responsável técnico no estabelecimento alimentício.
O decreto Nº 77.052 diz que o RT precisa ter "capacidade legal" certificada com diploma de instituição de ensino regular. Esta capacidade legal é comprovada à autoridade fiscalizadora através da apresentação da identidade profissional emitida pelos conselhos regionais da profissão (CREAs, CRQs, CRBios...). A capacidade legal tem que estar de acordo com a função que o profissional está exercendo. Essa relação Diploma X Função, no caso de alimentos, é  determinada pela portaria 1428/93, através de itens de conhecimento e capacidade técnica que o profissional deve cumprir.

O decreto Nº 77.052/76 não trata diretamente sobre o ramo alimentício, mas sim sobre estabelecimentos envolvidos com a saúde. Desta forma trata sobre hospitais, clínicas, academias e mais uma infinidade e tipos de estabelecimento. Outro ponto: pelo decreto Nº 77.052/76, não há uma graduação específica para se tornar profissional responsável técnico. Ele exige uma formação diplomada a fim e inscrição no conselho de classe respectivo. Para alimentos, só a 1428/93 irá definir mais especificamente.

Mas isso é assunto do próximo post.

Abraços!

Veja o texto original do decreto direto do site da ANVISA:


domingo, 1 de janeiro de 2012

Projeto Balde Cheio - Renovação na mentalidade do pequeno produtor de leite

Nossa cidade, Imperatriz, possui forte vocação para produção de leite, e consequentemente sua industrialização. É fácil vir à cabeça mais de três laticínios locais. Contudo, a produção de leite no campo das redondezas de imperatriz beira o "extrativismo animal". No video abaixo, do programa Globo Rural, um breve relato do programa "Balde Cheio", que visa otimizar o uso da terra e aumentar a produtividade do rebanho com medidas simples de manejo e gestão. Algo que se aplica muito bem a nossa realidade.
Com pequenas mudanças, se faz grandes avanços!

Norte, Nordeste e Centro-Oeste despontam como novo foco produtor de alimentos

Segundo análise dos dados agropecuários foram apresentados pelo coordenador-geral de Planejamento Estratégico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Garcia Gasques, na 2ª Conferência do Desenvolvimento, organizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em novembro, em Brasília, o Brasil surgirá como principal produtor de alimentos do mundo, ao lado de EUA, Argentina e Austrália.
Os novos dados apresentados sugerem também uma tendência bastante conhecida por nossa região: a vinda de produtores agrícolas em busca de vastas terras a preços acessíveis. Esse fato reforça a nossa região e a sua vocação como produtora de alimentos. Outro ponto é a necessidade de implementação de tecnologias para enfrentar as mudanças climáticas comuns as "novas fronteiras agrícolas", muito interessante a nós, profissionais da área.
 
Confira alguns trechos:

"O Brasil será um dos importantes fornecedores de alimentos nos próximos anos, junto com os Estados Unidos, Austrália e Argentina. As projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para os próximos 40 anos mostram que a produção de grãos no país deve saltar dos atuais 159 milhões de toneladas para 299,5 milhões de toneladas. Esse aumento representa acréscimo de 140,5 milhões de toneladas de arroz, feijão, trigo, milho e soja, ou 88% de incremento."



"O preço da terra têm sido um dos fatores atrativos para o deslocamento da agricultura e pecuária para novas áreas, especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Outro ponto é que como essas novas regiões de expansão da agropecuária apresentam maiores riscos de variações climáticas, especialmente secas, a tecnologia é um fator essencial para reduzir esses impactos."


fonte: Correio do Estado - Brasil será grande celeiro de alimentos

Ciência sem Fronteiras - programa federal de intercâmbio para os graduandos de Eng. de Alimentos

Mais uma vez os cursos de ciência&tecnologia saem na frente. Foi lançado pelo governo federal  o programa "Ciência sem Fronteiras", que visa mandar mais de 100 mil bolsistas das áreas de ciência e tecnologia para intercâmbio fora do país. Entre esses cursos está o de Engenharia de Alimentos. Confira  a matéria aqui.

Trechos da reportagem do Jornal do Brasil:

"Estudante de engenharia de alimentos da Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Maitê Harguindeguy, de 21 anos, já está com a viagem rumo a Oregon, Portland, marcada para janeiro. Maitê acredita que a experiência será muito boa, sobretudo para aprimorar-se na língua inglesa, porque, em engenharia, exige-se fluência no idioma. Ela ressaltou que também é importante a experiência de viver em outro país e encarar outra cultura. 'Além disso, tem três meses de estágio no fim do curso, e isso pesa muito no currículo.”

"Lançado em julho, o Programa Ciência sem Fronteiras pretende mandar 100 mil bolsistas para o exterior nos próximos três anos, com investimentos de R$ 3,1 bilhões.  As áreas prioritárias são de engenharia, física, química, computação, biotecnologia e energias renováveis, além de setores que demandam mão de obra altamente qualificada."

Vamos estudar meu povo!

Gôndolas e freezers de supermercado mal operados oferecem risco de DTAs

Quem nunca chegou em um hiper ou supermercado,  mercearia do bairro ou até aquela "vendinha" e se deparou com produtos mal estocados, latas amassadas, sacos rasgados com seu conteúdo por cima das outras embalagens ou até mesmo empoerados? No caso dos produtos que precisam da cadeia do frio essa relação é ainda mais grave: com o aumento da temperatura que surge no verão muitos freezers expositores não são suficientemente dimensionados para o nosso clima, quando não são desligados durante a madrugada. 

O mal armazenamento varejista é um problema real, de cunho cultural. Enquanto o consumidor final não for plenamente consciente do risco que corre ao consumir alimentos mal armazenados e deixarem de consumir, os varejistas não terão interesse de mudar esta mal gestão da estocagem. Nesse sentido, nós, profissionais dos alimentos entramos com a divulgação da consciência e implementação da cultura do "alimento seguro" na população, e posteriormente oferecendo amparo técnico aos comerciantes, com ferramentas de gestão de estocagem apropriadas.

o portal "ClicaTribuna" produziu uma ótima matéria em torno deste tema, alguns trechos abaixo.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais da metade das doenças transmitidas por alimentos ocorrem nas residências e a principal forma de contaminação está relacionada ao manuseio incorreto e à conservação inadequada. E o número de casos aumenta muito no verão.

“As altas temperaturas favorecem a proliferação bacteriana e com isso é necessário uma maior preocupação em relação à conservação dos alimentos. O cuidado deve ser redobrado quando se trata de alimentos perecíveis, como carnes, peixes, frutos do mar, laticínios, ovos, entre outros”, explica a nutricionista Alexsandra Medeiros.

[..]

Outra orientação é quanto às refeições feitas fora de casa. “Nos restaurantes, por exemplo, algumas preparações ficam expostas no bufê por várias horas, sem um rigoroso controle de temperatura, como as saladas, maionese, molhos, farofa, entre outros. Os alimentos preparados também são ambientes favoráveis à proliferação bacteriana”, destaca (NR: a especialista).

Fiquem de olho!